Quarta-feira, 11 de Julho de 2007

A caminho da floresta - II

 

"Apenas com um pedaço de tecido no corpo comecei a caminhar de encontro à floresta, ia descalça, estava um pouco de vento o que fazia com que o tecido esvoaçasse um pouco…"
[Ver texto completo AQUI]
 
Sentia os meus pés húmidos, olhei e reparei que a vegetação estava coberta por gotículas de água, orvalho talvez… ou então chuva, não sei, o sol encadeia-me e impede-me de olhar com maior pormenor…
Sinto algo tocar-me no ombro, no braço, que vai descendo, pousando de vez a vez, sinto o bater de algo, olho…
… e já só consigo ver o esvoaçar de uma borboleta, de asas grandes de tons laranja cor de fogo, amarelo cor de limão, pintada de violeta, colorida de tons arco-íris… estendo o braço com a esperança que ela volte a tocar na minha pele, mas ela esvoaça, voa cada vez mais alto, tento segui-la…
…mas ela voa e voa e não consigo…
Insisto…
…corro mais um pouco, mas ela já está para lá da linha do horizonte, voou para lá do que eu poderia ir…
…voou para um local desconhecido, longe ou talvez perto…talvez volte…
[De repente, tudo anda à roda, o azul do céu parece rosa, o castanho e o verde da vegetação confundem-se ganham uma nova cor, as árvores mexem, viram e reviram, os troncos ganham elasticidade parecem vir em meu encontro, em busca do meu corpo…
Assustada e confusa corro, corro em direcção a algo perdido, a algo desconhecido, a algo sem fim, corro, corro…
No minuto a seguir tudo parece andar à minha volta, tudo gira, tudo roda, olho e olho, olho não sei para onde, não sei o que vejo, já nem sei o que sinto…
Sinto as minhas pernas bambas, sem forças, a cabeça pesada, os olhos cansados que parecem querer fechar a qualquer instante…
A luz do sol esvaísse, confunde-se com a luz da noite com a luz do dia com a luz do entardecer, do amanhecer, o tecido que cobre o meu corpo escorrega, descai, desliza entre as curvas entre as linhas do meu corpo… redesenha-me… mostra a minha nudez, a nudez da minha pele, do meu corpo, mostra cada pedaço, cada centímetro, cada milímetro de mim…]*   
 
PS: Uma vez que surgiu uma critica CONSTRUTIVA, decidi modificar o texto, até porque o texto não se encontrava totalmente do meu agrado, não sei, parecia que morria no fim, e para comprovar isso vou deixar aqui o outro final para que todos possam comprava-lo:
“Tento andar mais um pouco, mas sinto-me fraca, muito fraca, cada vez mais fraca, o tecido que cobre e esconde a nudez do meu corpo vai descaindo aos poucos, deslizando ao longo das costas, caindo levemente na cintura, redesenhando ao longo do tempo, todas as linhas possíveis e imaginarias existentes no meu corpo…”
* Texto editado às 19h10m
publicado por Sol de Inverno às 10:29
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6 comentários:
De vicallacer a 11 de Julho de 2007 às 13:43
Gostei do Post.
Foste tu que criaste?

Se foste acho que deverias ter dado (+) força à ideia chave, empolgando-a expressamente no final... bom desculpa isto!
Beijo

Ps: espero que gostes da prenda de hoje!

Poeta Castrado, Não!

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
--- é tão vulgar que nos cansa ---
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
--- a morte é branda e letal ---
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
--- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
--- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

José Carlos Ary dos Santos


Vitor
De Sol de Inverno a 11 de Julho de 2007 às 14:14
Tal como tu, não gosto muito do final que dei ao post, não sei, mas parece que o texto morre um pouco... e não peças desculpa, apenas deste a tua opinião e eu agradeço por isso!
Como sempre adorei o presente... ai que vou ficar mal habituada...

PS: Pode ser que até ao final do dia pense em algo e modifique o final.
De vicallacer a 11 de Julho de 2007 às 17:50
Que bom que tb sentiste o mesmo!

Isso... dá-lhe um toque mais vigoroso, mais cúmplice, bom... tu sabes

Beijo
Ps: Eh pá... ñ sei gosto de vir aqui e LER-TE!!
Xau
logo venho cá ver!
Beijo
Vitor
De Sol de Inverno a 11 de Julho de 2007 às 19:02
E pronto, já modifiquei, espero que goste...
Pelo menos foi o melhor que consegui fazer...

Beijo
De vicallacer a 12 de Julho de 2007 às 00:45

Viste...!

Ficou muito melhor! os temas devem abordados de forma directa, simples, e desenvolvido de forma clara, tirando sempre partido dos pormenores, da subtileza das palavras, do seu peso dentro do argumento, e da vontade própria de marcar uma posição, evidenciar um facto, etc, etc...

Gostei, sinceramente... gostei mesmo!
Desculpa hora, mas estive a jantar com amigos que já não via há muito tempo.

Beijo
Vitor
De Sol de Inverno a 12 de Julho de 2007 às 01:01
Tens toda a razão, os temas devem ser sempre explorados até à sua exaustão, não sei, mas agora sim encontro-me satisfeita com o final, não está perfeito, mas nada é perfeito por isso...
Se calhar senão tivesses "criticado" o post eu nem teria pensado num outro final... ainda bem que o fizeste.

Beijinhos

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